18/08/2026
Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam espaço e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas que buscam perder peso. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem ser importantes ferramentas no tratamento da obesidade, quando indicados e acompanhados por profissionais de saúde.
Mas falar sobre emagrecimento não significa falar apenas sobre o corpo, o processo também envolve emoções, autoestima, imagem corporal, comportamento alimentar e a forma como cada pessoa se relaciona consigo mesma.
Para algumas pessoas, a perda de peso pode trazer satisfação e melhorar a relação com o próprio corpo. Para outras, porém, a busca por um determinado número na balança pode se transformar em uma fonte constante de ansiedade. Pensamentos como:
“Será que emagreci o suficiente?”
“E se eu voltar a engordar?”
“Meu corpo ainda não está bom.”
“Preciso perder mais alguns quilos.”
podem fazer com que o emagrecimento deixe de ser apenas uma questão de saúde e passe a ocupar um espaço excessivo na vida emocional. É importante lembrar que mudar o corpo não significa, necessariamente, mudar a forma como nos sentimos sobre ele.
Uma das expectativas que podem aparecer durante um processo de emagrecimento é a ideia de que, depois de perder peso, a pessoa finalmente se sentirá satisfeita consigo mesma, mas a autoestima é construída por muito mais do que aparência. Quando a insatisfação corporal está relacionada a crenças profundas, comparação constante, autocrítica ou necessidade de aprovação, emagrecer pode não resolver o sofrimento emocional.
Em alguns casos, a pessoa alcança o peso que desejava e ainda continua se sentindo inadequada, por isso, cuidar da saúde mental também faz parte de um processo saudável de mudança corporal.
O emagrecimento pode provocar mudanças na percepção que a pessoa tem de si mesma, é possível olhar no espelho e ainda enxergar a mesma pessoa que existia antes da perda de peso. Também pode surgir dificuldade para reconhecer o próprio corpo ou medo intenso de recuperar o peso perdido, essa adaptação psicológica merece atenção. A mudança física pode acontecer em semanas ou meses, mas a construção de uma relação mais saudável com o próprio corpo costuma ser um processo gradual.
Outro ponto importante é observar quando o tratamento começa a ser acompanhado por comportamentos de controle excessivo, pesagem constante, medo de comer, culpa após as refeições, restrições alimentares exageradas ou pensamentos obsessivos sobre calorias e peso são sinais que merecem atenção. O objetivo não deve ser simplesmente “pesar menos”, mas construir uma relação mais saudável com alimentação, corpo e saúde.
Os medicamentos para perda de peso podem ter indicação clínica e devem ser utilizados com acompanhamento médico, ao mesmo tempo, o cuidado precisa considerar a pessoa como um todo. Nutrição, atividade física, acompanhamento médico e saúde mental podem caminhar juntos.
A psicoterapia pode ajudar a compreender a relação com o corpo, trabalhar a autoestima, identificar pensamentos disfuncionais e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com alimentação, ansiedade e mudanças na imagem corporal.
Emagrecer não precisa significar entrar em uma guerra contra o próprio corpo, o cuidado pode partir de outro lugar: compreender suas necessidades, respeitar seus limites e buscar saúde sem transformar a aparência em medida do seu valor. Se você está utilizando uma caneta emagrecedora ou pensando em iniciar esse tipo de tratamento, também vale perguntar:
Como estou me sentindo durante esse processo?
Minha relação com meu corpo está melhorando ou estou apenas aumentando a cobrança sobre mim mesma?
Estou cuidando da minha saúde ou tentando alcançar um padrão para finalmente me sentir suficiente?
Essas perguntas podem abrir espaço para um cuidado mais completo e consciente, porque cuidar do corpo é importante, mas cuidar da mente também faz parte do processo.